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O Encontro com a Transformação

Hoje, cinco dias depois que uma borboleta laranja e preta emergiu de seu casulo no meu quarto (precisamente no Dia dos Finados), ela ainda está aqui.

Não voou para longe.

Permanece no jardim do meu escritório, como se tivesse algo a me ensinar. E há uma paz que me envolve sempre que a vejo. É a paz que só chega quando você aceita que morrer é necessário.

Essa borboleta é um espelho. Sua permanência sussurra uma verdade que transformou tudo em mim: a metamorfose pessoal não é um evento isolado. É uma presença contínua. É vida.

O Casulo Que Recusei

Deixe-me ser honesta: durante muito tempo, recusei o casulo.

Quando senti a primeira morte (essa sensação de que tudo em mim precisava se dissolver), meu primeiro instinto foi fugir. Ficar como lagarta. Continuar rastejando. Porque pelo menos eu conhecia esse movimento. Pelo menos sabia quem eu era naquela forma.

O casulo não prometia nada. Apenas escuridão. Apenas o silêncio de um espaço onde tudo que você construiu se desintegra em partículas que você não consegue nomear.

Então recusei.

Caminhei em círculos. Repeti os mesmos padrões. Contei as mesmas histórias sobre mim mesma (as que já não me serviam, mas que eram minhas. Seguras. Conhecidas).

E sabe por quê?

Porque sair daquilo que eu conhecia, mesmo que me machucasse, significava me desconhecer completamente. Nós, mulheres, preferimos sofrer de forma conhecida a enfrentar o terror de nascer sem saber quem seremos quando emergirmos.

Essa recusa é mais comum do que você imagina. Quantas vezes você já pediu para a vida esperar? Quantas vezes sussurrou “não agora” enquanto sentia as asas pressionando contra seu peito?

Quando a Morte Para de Ser Opcional

Mas chega um momento (e talvez você já tenha chegado lá) em que recusar o casulo se torna mais doloroso que entrar nele.

É quando as asas dentro de você começam a pressionar as paredes de quem você fingiu ser.

Quando a lagarta que você construiu com tanto cuidado começa a desmoronar sozinha. Não porque você pediu, mas porque a vida diz: “Chega. Está na hora.”

Aí o casulo não é mais uma escolha. É uma necessidade.

Entrei no meu quando a vida não me deixou outro caminho. Quando tudo que eu acreditava sobre mim se mostrou insuficiente. Quando projetos terminaram, identidades que eu carregava morreram e, no silêncio dessas perdas, finalmente entendi:

Esse vazio não era fracasso. Era gestação.

Onde a Alma Realmente Nasce

Os gregos compreendiam algo que nós modernas esquecemos: chamavam a alma de psyche e viam a borboleta como seu símbolo vivo.

Mas aqui está o detalhe crucial: a alma não sobrevive apesar da dissolução. Ela nasce dentro da dissolução.

É na gestação (nesse tempo de escuridão total, nesse repouso forçado onde você não pode fazer nada senão ser) que a alma se reconhece e descobre sua verdadeira forma.

Enquanto você está ocupada sendo lagarta, rastejando pela folha da sua própria vida, não tem tempo para conhecer quem realmente é. Sua essência fica adormecida sob o peso das tarefas, dos papéis, das versões que aprendeu a representar.

Mas nessa morte (quando as células da sua velha forma se dissolvem completamente) é ali que tudo muda.

É ali que as asas nascem. Não apesar da morte. Por causa dela.

O Que Realmente Morre Quando Você Se Transforma

Aqui está a verdade que transforma tudo: sua essência não morre na gestação. Apenas sua forma.

Os gregos viam a borboleta como mudança de forma que não é mudança de essência. Você muda de pele, mas quem você é (o centro imutável do seu ser) permanece intacto. E, paradoxalmente, essa essência se torna ainda mais clara.

As Roupas Antigas Que Você Vestia

As identidades que você carregava não eram você. Eram apenas roupas que você vestia.

Algumas caíam bem. Outras apertavam tanto que você mal conseguia respirar. Algumas você nunca deveria ter vestido, mas estava escuro demais para perceber.

Nesse repouso sagrado, você descobre o que era roupa e o que era seu corpo. O que era história contada e o que era verdade vivida.

E essa verdade não morre. Ela se liberta.

O Que Perdi e O Que Permaneceu

Vivi algumas mortes no meu repouso (mortes que pareciam o fim do mundo):

  • Perdi a identidade de quem achava que deveria ser
  • Perdi o controle sobre como as pessoas me viam
  • Perdi a ilusão de que a vida segue um plano

Mas sabe o que não perdi? Mim mesma.

O amor que habita meu peito continuava lá. A coragem, acuada, mas viva. A inteligência, a criatividade, a capacidade de reconhecer beleza (tudo isso era meu, independente de qual forma eu ocupasse).

E compreendi: essas coisas não aguardavam novas asas. Elas eram as asas. Apenas dormindo.

Quando o Universo Fala Diretamente com Você

Agora entendo por que a borboleta emergiu no Dia dos Finados.

Não é coincidência. É o universo falando em linguagem que a gente nunca aprende na escola, mas reconhece no peito.

O Significado Além da Coincidência

O Dia dos Finados não é apenas para honrar aqueles que morreram fisicamente. É para honrar essas partes que morrem em nós continuamente (as que precisam ser enterradas para que outras nasçam).

E a borboleta emergindo precisamente naquele dia, naquele quarto, daquela forma, era como se o universo sussurrasse no meu ouvido:

“Veja. Aqui. Agora. A morte é real. E é bela. Você também pode fazer isso.”

Porque há um momento em cada vida em que os sinais mudam. Quando a sincronicidade não é mais casual (é clamorosa). Quando o universo para de sussurrar e começa a gritar:

“Algo em você está pronto para voar. E a hora é AGORA.”

Não amanhã. Não quando você estiver mais preparada. Não quando as circunstâncias forem perfeitas. Agora.

O Significado Acausal de Jung

Jung chamava isso de “significado acausal” (essa estranha coincidência em que o externo e o interno se encontram no mesmo ponto).

Não é magia. Não é o universo literalmente conspirando. É algo mais sutil e mais real: é você, finalmente acordada, reconhecendo os sinais que sempre estiveram aqui.

A borboleta não emergiu porque o universo quis. Emergiu porque eu, naquele exato momento, estava pronta para ver.

Minha morte interna sincronizou com a emergência da borboleta. E nesse encontro, reconheci: “Isso sou eu. Isso é possível.”

Sincronicidade não é destino. É reconhecimento.

Laranja e Preto: O Que Essas Cores Revelam

Há algo profundamente significativo nas cores dessa borboleta que permanece.

O laranja: é a cor do fogo contido em leveza. É a vitalidade que sobreviveu à gestação. É o pôr do sol (esse momento mágico que marca morte e vida simultaneamente). É energia que não destrói, mas transmuta.

O preto: é onde tudo começa. É o vazio necessário. É essa dissolução. É o momento antes do nascimento quando você é apenas potencial, sem forma ainda. Preto não é ausência (é presença de todas as possibilidades ao mesmo tempo).

O Equilíbrio Completo

Juntas, essas cores falam de um equilíbrio que tomou anos para eu compreender:

Você não se tornou apenas “mais leve” (você se tornou completa).

Você carrega tanto o preto do vazio necessário quanto o laranja da vida renovada. A morte e o nascimento, lado a lado, não como opostos, mas como partes de um mesmo processo.

Essa borboleta laranja e preta é você transformada, mas inteira. Diferente, mas essencial. Nova, mas ainda fundamentalmente você.

E quando vejo essas duas cores juntas, reconheço que é também sinal. É como se o universo tivesse pintado para mim:

“Veja aqui a morte (preto) gerando vida (laranja). Veja aqui você mesma, completa, paradoxal e possível.”

A Borboleta Que Permanece

Cinco dias. A borboleta continua aqui.

E isso muda tudo.

Se ela tivesse voado no primeiro dia, seria apenas uma coincidência bonita. Uma história que você contaria tomando café.

Mas ela ficou.

E sua permanência sussurra uma verdade diferente: “A mudança pessoal não é um evento isolado. Não é algo que você faz uma vez e marca como cumprido. Não é um destino aonde você chega e descansa para sempre.”

Transformação é Presença Contínua

A metamorfose é uma presença contínua. É vida.

Essa borboleta no meu jardim é a prova viva de que mudança persiste. Que asas recém-abertas não desaparecem. Que o voo, uma vez vivido, continua verdadeiro dia após dia, momento após momento.

E a paz que sinto não é paz de contemplação. É paz de reconhecimento.

Olho para essa borboleta e reconheço a verdade que ela encarna:

Você não precisa de mais tempo, mais preparação, mais circunstâncias perfeitas. Você só precisa de coragem.

Coragem para deixar morrer o que já não serve. Coragem para entrar nessa dissolução temporária. Coragem para confiar que do outro lado há asas. Coragem para reconhecer que o processo é contínuo (que haverá outros casulos, outros voos, outras mortes que criam vida).

O Medo Que Você Ainda Carrega (E Por Que Está Tudo Bem)

Pode ser que você esteja aqui, lendo isso, pensando:

“Tudo isso é bonito. Mas e se eu não conseguir? E se entrar nessa dissolução e ficar presa lá? E se as asas não abrirem?”

Eu entendo esse medo. Porque é real.

A Gestação é Escura e Sem Garantias

A gestação é escura. Não há garantias. Não há comprovante de que você vai sair do outro lado. Há apenas fé (essa qualidade primitiva que diz “sim” para o desconhecido).

E sim, há risco. Há o risco real de que você mude e as pessoas que amam o “você” antigo não reconheçam quem você é agora.

Há o risco de que você voe para um lugar que as pessoas ao seu redor não conseguem seguir.

Há o risco de que você descubra que parte daquilo que construiu (relacionamentos, carreiras, vidas inteiras) não era para você voar. Era apenas para rastejar confortavelmente.

Isso dói.

Mas Existe uma Dor Pior

Sabe o que dói mais? Recusar essa morte enquanto as asas te puxam para cima. Dizer “não” para a vida enquanto ela grita “sim”. Permanecer em uma forma que deixou de ser sua, fingindo que o desconforto é contentamento.

A gestação é dolorosa. Mas é o tipo de dor que cria.

A dor de recusar a mudança é o tipo de dor que apenas corrói.

Você Também Tem Uma Borboleta Dentro

Talvez ainda esteja em gestação. Talvez esteja nesse momento aterrador quando as asas começam a rasgar a membrana do seu antigo ser.

Talvez você já tenha voado uma vez e agora está em repouso, aguardando a próxima metamorfose (porque sim, haverá outras).

O processo nunca para.

Mas essa borboleta está lá. É real. Está pronta para nascer.

E isso me traz à próxima verdade que aprendi observando essa criatura alaranjada no meu jardim…

A Espiral Infinita da Transformação

Depois que você voa, há mais casulos.

Não é “você voa e vive feliz para sempre.” É “você voa, repousa, reconhece que há mais em você para nascer, e retorna à gestação quando chegar a hora.”

A mudança não é um destino. É uma espiral. Você volta ao mesmo lugar, mas de um patamar mais alto.

A Paz Que Não é Final, Mas Presente

A paz que sinto olhando para a borboleta não é o prêmio final. É o repouso antes da próxima jornada.

Porque há partes em mim que ainda dormem. Há potenciais que ainda não descobri. Há versões de mim mesma aguardando para nascer.

E quando chegarem meus próximos casulos, entrarei de novo (com mais coragem dessa vez, porque já sei que do outro lado há asas).

A Pergunta Que Importa

“Isso significa que nunca chegamos? Que sempre há outro casulo à nossa frente? Que nunca há paz permanente?”

A resposta é: sim e não.

Sim, porque o processo é contínuo. Nunca há “chegada final” onde você descansa para sempre. Sempre há mais morte, mais vida, mais voo.

Mas também não (porque cada voo é paz). Cada vez que você abre as asas, aquela é uma paz verdadeira. Não porque é final, mas porque é presente. É agora. E agora é o único lugar onde a paz existe.

Não é prisão sem fim. É liberdade sem fim. Depende de como você interpreta infinidade (como clausura ou como oportunidade eterna).

Eu escolho a segunda interpretação. E convido você a fazer o mesmo.

O Dia dos Finados Como Espelho

Quando olho para essa borboleta laranja e preta (a que emergiu no Dia dos Finados e permanece), reconheço que é um espelho perfeito.

Porque o Dia dos Finados celebra a morte. A dissolução. O fim das formas que conhecemos.

Mas celebra também o que permanece: a memória, o impacto, a essência daqueles que já não estão aqui em corpo, mas continuam em nossos corações.

É exatamente isso que é metamorfose pessoal.

Sua forma antiga morre. Mas você permanece. Seu impacto permanece. A essência daquilo que você é (essa qualidade que os gregos chamavam de psyche) permanece intacta, apenas travestida em asas.

E agora você voa onde antes rastejava. Agora você vê o que antes não conseguia alcançar. Agora você é (não mais fingindo ser, mas simplesmente sendo).

De Qual Casulo Você Ainda Precisa Sair?

Deixe-me fazer uma pergunta que pode mudar tudo. Peço que você não responda rápido. Que sinta no peito e deixe trabalhar:

De qual casulo você ainda precisa sair?

Não é sobre mudança de carreira. Não é sobre ir para outro lugar. Não é sobre as coisas visíveis.

É sobre quem você deixaria morrer se isso significasse que suas asas enfim se abrissem.

As Três Perguntas da Transformação

  1. Qual identidade antiga você abriria mão?
  2. Qual história sobre você deixaria na gestação?
  3. Qual versão de si mesma permitiria desintegrar, sabendo que algo mais verdadeiro nasceria?

E quando você tiver respondido (quando tiver olhado no fundo dessa morte e reconhecido que está pronta), há uma segunda pergunta igualmente importante:

Qual será seu primeiro voo?

Não estou falando de algo grandioso. Estou falando de uma ação que sua borboleta interior quer fazer. Um passo que você recusava dar. Uma verdade que você recusava falar. Uma escolha que você recusava fazer porque ainda estava com medo.

Qual será?

Porque o processo não é completo enquanto permanece interno. Ele voa quando encontra o ar.

Asas são feitas para voar. Não para se adorar em espelhos. Não para contemplar em mortes. Mas para voar.

O Convite Final

Eu convido você a encontrar sua borboleta interior. Não a borboleta que você gostaria de ser. A borboleta que está nascendo dentro de você agora.

Eu convido você a honrar essa dissolução temporária (esse tempo de escuridão, de desintegração, de necessidade sagrada) não como punição, mas como preparação.

Eu convido você a reconhecer que sua essência é indestrutível. Que você pode mudar tudo e ainda ser você.

Eu convido você a ver a sincronicidade em sua vida (esses momentos quando o universo grita “agora!”) e responder com coragem.

Eu convido você a sair dessa gestação. Abrir essas asas. Dar esse primeiro voo apavorante e belíssimo.

E eu convido você a permanecer transformada. Não como quem alcançou um destino, mas como quem reconheceu que a jornada é infinita e que cada morte nos torna mais capazes de voar.

Sua borboleta está pronta. E o mundo precisa de suas asas.

 

Graduação em Ciências Econômicas. Pós-graduação em Psicologia Transpessoal. Formação em Terapia Floral, com especialização em trauma e intuição (Essências Florais). Formação em Cura Pranica (Institute for Inner Studies no Reino Unido). Curso Fundamentos do Budismo (Institute for Inner Studies no Reino Unido) Não me resumo às minhas formações acadêmicas, nem aos diversos cursos e especializações que fiz no Brasil e no exterior. Eu sou a Malu. Comunicativa, inquieta e curiosa por natureza. Sou a conexão e amor que sinto pela minha ancestralidade, e pelo meu marido João. Sou o resultado do meu hábito por meditação e tudo o que a vida me ensinou sobre mim mesma. Muitos interesses, habilidades e paixões juntos fazem de mim a Malu Ortega. Durante muitos anos, vivi apaixonada pelos números e teorias que movem o mundo da economia. E, acredite, essa paixão não esfriou; ela ainda pulsa forte em mim. A economia foi minha primeira grande aventura profissional, onde dediquei horas e anos da minha vida, sempre com muita satisfação. Mas você sabe como a vida é cheia de surpresas, não é? Sem que eu planejasse, uma nova paixão surgiu em meu caminho: mergulhei no fascinante mundo da Psicologia Transpessoal com uma pós-graduação que expandiu não só o meu conhecimento, mas minha visão de mundo. A Terapia Floral veio como uma ponte entre a ciência e o espírito, onde especializei-me em trauma e intuição. Foi um daqueles giros inesperados que a vida dá, me levando a descobrir um talento natural para curar e ajudar as pessoas a encontrarem o equilíbrio e a paz interior. Mas quem sou eu além das credenciais? Sou Malu, alguém que vê na comunicação uma ponte para a cura, que não teme as inquietudes da alma e que se delicia na eterna busca por conhecimento. Sou feita de amor pela minha ancestralidade e pelo meu companheiro de vida, João. Sou moldada pela meditação e pelos ensinamentos preciosos que cada dia, cada pessoa e cada experiência me trouxeram.

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