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O Que Minha Alma Sussurrou na Angústia do Câncer

Você já parou para ouvir o que seus desconfortos emocionais estão tentando comunicar?

Existe um fenômeno curioso que todos experimentamos: aqueles dias em que acordamos com um peso inexplicável no peito, uma inquietação que não conseguimos nomear, uma sensação de estarmos desalinhados com nós mesmos. Esses momentos desconfortáveis carregam uma mensagem valiosa que, frequentemente, ignoramos.

Aprendi isso da forma mais intensa possível quando recebi meu diagnóstico de câncer de mama. Naquele momento, não era apenas uma angústia difusa era um medo concreto, palpável, que ameaçava me engolir inteira

Mas foi justamente nessa jornada que descobri verdades profundas sobre como nossos desconfortos emocionais são, na verdade, mensageiros da alma.

De Quem é a Culpa? A Pergunta que nos Impede de Curar

Nossa primeira reação diante do desconforto emocional costuma ser procurar um responsável externo. Quando recebi o diagnóstico, minha mente imediatamente começou a buscar culpados: “Foi o estresse do trabalho?”, “Foi aquela fase difícil que passei?”, “Poderia ter evitado se tivesse feito algo diferente?”.

Essa busca por culpados externos, embora natural, nos mantém prisioneiros de uma ilusão: a de que nossa paz depende de fatores que não controlamos. Mas a verdade libertadora é outra, e há um ensinamento budista fascinante que a descreve: o conceito de co-emergência.

A ideia é surpreendentemente simples: eu vejo o mundo através das minhas lentes internas e, portanto, se eu mudo ou purifico essas lentes, o que eu vejo também muda. Pense em duas pessoas observando o mesmo quadro. Uma pode ficar triste e deprimida; a outra, emocionada e inspirada. O que mudou, se a obra de arte é a mesma? A lente que cada pessoa carrega dentro de si. Simples assim. Naquele momento, eu compreendi que a tarefa mais urgente era escolher qual lente eu usaria.

Quando a Dor se Torna uma Mensageira

Então, o que fazer quando a angústia aparece? A resposta está em acolher o desconforto e abrir espaço para um diálogo interior.

Nos dias que antecederam minha cirurgia, a angústia era uma presença constante. Não era apenas medo da cirurgia era algo mais profundo, uma inquietação que me acompanhava desde o momento em que acordava até a hora de dormir. E aprendi algo fundamental: essa angústia não era minha inimiga; era uma mensageira.

Pense no seu corpo emocional como um sistema sofisticado de navegação. Quando algo está fora do curso, alarmes são acionados. A angústia, a inquietação, o vazio existencial todos são indicadores de que algo requer atenção.

Afinal, se tudo na vida tem uma causa, nossos sentimentos mais profundos também devem ter. Ignorar esses sinais é como dirigir com a luz de advertência acesa, esperando que o problema se resolva sozinho.

A pergunta transformadora não é “quem causou isso?” ou “como faço isso parar?”, mas sim: “O que essa sensação está tentando me revelar sobre mim mesma?”

A Mágica de Acolher, Nomear e Entender a Dor

A primeira grande lição desta jornada foi aprender a acolher a dor sem tentar fugir dela. No início, o medo do amanhã era paralisante. Meu maior terror tinha nome: a possibilidade de precisar fazer quimioterapia. Só de pensar nisso, sentia uma angústia profunda que me tirava o ar.

Mas percebi que reprimir esses sentimentos só os tornava mais pesados, mais assustadores. Então, escolhi um caminho diferente: viver cada emoção plenamente.

Comecei a escrever um diário que chamei de “O Recomeço”. Cada medo, cada angústia, cada momento de desespero ganhou palavras no papel.

 E algo mágico aconteceu: ao nomear a dor, ela se tornou menos assustadora. Era como se, ao colocá-la em palavras, eu pudesse finalmente enxergá-la por inteiro, em vez de apenas sentir seu peso indefinido.

  1. Acolher: Reconhecer a emoção sem julgamento. “Estou com medo. Estou angustiada. E está tudo bem sentir isso.”
  2. Nomear: Dar especificidade ao sentimento. “Tenho medo da quimioterapia. Tenho medo de perder minha vitalidade. Tenho medo do desconhecido.”
  3. Clarificar: Entender as camadas da emoção. Percebi que minha dor tinha múltiplas dimensões não era apenas o corpo que sofria, mas também meu coração, minha mente, meu espírito.

A escrita me ajudou a clarificar o caos emocional. E foi ao identificar cada uma dessas camadas que comecei a encontrar formas de cuidar de cada uma delas.

A Pergunta que me Serviu de Âncora: ‘Como Eu Quero me Sentir?

Antes da cirurgia, perguntei a mim mesma: “Como eu quero me sentir?”

  • Confiante no desdobrar natural da vida?
  • Grata pelas bênçãos que já tenho?
  • Amando a mim mesma profundamente?
  • Em paz, mesmo diante da incerteza?

Escolher minha intenção foi um ato de poder pessoal. Não importava o que o dia trouxesse e eu sabia que traria desafios, eu podia sempre retornar a essa escolha, essa decisão consciente de ser.

Essa intenção funcionou como uma âncora. Quando o medo batia à porta, quando a incerteza tentava me derrubar, eu voltava à minha intenção e me reconectava com quem havia escolhido ser.

Quando a Mensagem Finalmente Chega

Quinze dias após a cirurgia, enquanto aguardava os resultados dos novos exames que definiriam os próximos passos do tratamento, tive uma compreensão profunda.

A angústia que havia me acompanhado não era apenas sobre o câncer. Era sobre algo mais profundo: minha alma estava me chamando para um recomeço verdadeiro. Não apenas a cura do corpo, mas uma transformação completa da forma como eu vivia, amava e me relacionava comigo mesma.

Percebi que, durante anos, havia negligenciado sinais mais sutis de desalinhamento. Pequenas angústias que eu ignorava, inquietações que eu suprimia com distrações, uma sensação persistente de que algo estava faltando. 

E quando finalmente ouvi essa mensagem, quando compreendi que a angústia era um convite para transformação, algo extraordinário aconteceu: a relação com meu medo mudou completamente.

Não que o medo tenha desaparecido. Mas em vez de resistir a ele, senti gratidão. Gratidão pela angústia que me forçou a parar. Gratidão pelo medo que me fez questionar. Gratidão pela dor que me ensinou a acolher.

Quando saí da consulta com o oncologista e ele disse que “a cura é certa”, não ouvi apenas uma promessa médica. Ouvi a confirmação de algo que minha alma já sabia: a cura já estava acontecendo, em múltiplas dimensões.

Um Convite para Você: Como Ouvir Seus Próprios Mensageiros

Esta reflexão não é apenas filosófica é um convite prático para você.

Da próxima vez que a angústia, a inquietação ou o vazio aparecerem, experimente uma abordagem diferente:

  1. Reconheça o sinal sem julgamento: “Algo em mim está pedindo atenção”
  2. Acolha a emoção: Não tente suprimi-la ou distraí-la. Dê-lhe espaço para existir.
  3. Nomeie especificamente: “Tenho medo de…” “Estou angustiada porquê…” “Sinto-me perdida em relação a…”
  4. Crie espaço para escuta interior: Escolha uma prática que o conecte com estados mais profundos de consciência — escrita, meditação, caminhada na natureza, conversa profunda.
  5. Faça a pergunta essencial: “O que você está tentando me revelar?”
  6. Receba a resposta com abertura, mesmo que ela desafie sua zona de conforto.
  7. Honre a mensagem com ações concretas de realinhamento.

A Cura Que Acontece em Camadas

Hoje, enquanto escrevo estas palavras, minha recuperação física tem sido extraordinária. Minha médica não apenas realizou uma cirurgia tecnicamente perfeita, mas teve um cuidado especial com minha cicatriz um gesto que pode parecer pequeno, mas que fez uma diferença imensa no meu bem-estar emocional.

Ela entendeu algo fundamental: a cura não é apenas física. Uma mulher que enfrenta o câncer de mama precisa se sentir inteira, bonita, feminina. Esse cuidado foi um ato de amor que vai muito além da medicina foi o reconhecimento de que curamos em múltiplas dimensões.

E é exatamente isso que aprendi: a cura acontece simultaneamente no corpo, na mente, no coração e no espírito. Cada dimensão precisa de atenção, cada camada precisa de cuidado.

Seus Desconfortos São Seus Aliados

Seus desconfortos emocionais não são inimigos a serem combatidos ou suprimidos. São aliados, mensageiros da sua alma, sinalizando quando você se afasta do seu caminho autêntico.

A angústia que senti não era apenas sobre o câncer era sobre todas as vezes que ignorei minha voz interior, todas as vezes que me coloquei em segundo plano, todas as vezes que vivi no piloto automático em vez de viver com intenção.

A questão não é eliminar a angústia da vida é aprender sua linguagem e responder aos seus chamados antes que eles precisem gritar para serem ouvidos.

Nossa Cura Também é Coletiva

Se você está passando por algo semelhante seja uma doença, uma crise existencial, um momento de profunda transformação, quero que saiba: você não está sozinha.

Acredite na sua força interior. Ela existe, mesmo quando você não consegue senti-la. Mesmo nos dias mais escuros, ela está lá, esperando que você a reconheça.

O amor-próprio, o apoio de nossos entes queridos e a fé na cura são os pilares fundamentais desta caminhada. Não subestime o poder de nenhum deles.

Compartilhe suas histórias. Nomeie seus medos. Acolha suas angústias. E confie que, ao fazer isso, você está abrindo caminho não apenas para sua própria cura, mas para a cura coletiva.

O Recomeço É Sempre Possível

Que seus momentos de inquietação não sejam desperdiçados em sofrimento passivo, mas transformados em portais de autoconhecimento e evolução consciente.

A jornada do câncer de mama me mostrou que o recomeço é possível, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Acolher a dor, clarificar sentimentos e confiar no poder do amor são passos essenciais para essa transformação.

Cada dia que passa, sinto-me mais forte, mais inteira, mais viva. 

O próximo passo está em suas mãos. Você está pronta para ouvir o que sua alma está sussurrando?

 

Graduação em Ciências Econômicas. Pós-graduação em Psicologia Transpessoal. Formação em Terapia Floral, com especialização em trauma e intuição (Essências Florais). Formação em Cura Pranica (Institute for Inner Studies no Reino Unido). Curso Fundamentos do Budismo (Institute for Inner Studies no Reino Unido) Não me resumo às minhas formações acadêmicas, nem aos diversos cursos e especializações que fiz no Brasil e no exterior. Eu sou a Malu. Comunicativa, inquieta e curiosa por natureza. Sou a conexão e amor que sinto pela minha ancestralidade, e pelo meu marido João. Sou o resultado do meu hábito por meditação e tudo o que a vida me ensinou sobre mim mesma. Muitos interesses, habilidades e paixões juntos fazem de mim a Malu Ortega. Durante muitos anos, vivi apaixonada pelos números e teorias que movem o mundo da economia. E, acredite, essa paixão não esfriou; ela ainda pulsa forte em mim. A economia foi minha primeira grande aventura profissional, onde dediquei horas e anos da minha vida, sempre com muita satisfação. Mas você sabe como a vida é cheia de surpresas, não é? Sem que eu planejasse, uma nova paixão surgiu em meu caminho: mergulhei no fascinante mundo da Psicologia Transpessoal com uma pós-graduação que expandiu não só o meu conhecimento, mas minha visão de mundo. A Terapia Floral veio como uma ponte entre a ciência e o espírito, onde especializei-me em trauma e intuição. Foi um daqueles giros inesperados que a vida dá, me levando a descobrir um talento natural para curar e ajudar as pessoas a encontrarem o equilíbrio e a paz interior. Mas quem sou eu além das credenciais? Sou Malu, alguém que vê na comunicação uma ponte para a cura, que não teme as inquietudes da alma e que se delicia na eterna busca por conhecimento. Sou feita de amor pela minha ancestralidade e pelo meu companheiro de vida, João. Sou moldada pela meditação e pelos ensinamentos preciosos que cada dia, cada pessoa e cada experiência me trouxeram.

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